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Macron: o Sátrapa Necromante

 

O segundo round das eleições na França definiu a continuidade do projeto atlantista, do esboço de hegemonia e prosseguimento na retórica liberal. Macron, chamado por Benoist de “algoritmo” (e ele é mesmo um algoritmo, uma linha de comando num extenso e intrincado código de programação), é o sátrapa, o governante duma província. A realidade é que a França (como todos os países-membro da União Europeia) já há muito deixou de ser um país; é, agora, o prolongamento de um império sediado em Bruxelas.

 

O verdadeiro vencedor não foi Macron, um mero títere; Merkel foi a conquistadora da França. É ela quem vai, em grande parte, prosseguir ditando os rumos da vida de milhões de franceses, num projeto de dominação político-econômica muito mais complexo, duradouro e impermeável do que aquele estabelecido pelos nacional-socialistas sobre a França. E a verdadeira derrota não foi para Marine Le Pen (que obteve 33.9% dos votos no segundo turno, contra 17.9% dos votos obtidos nas eleições de 2012). Os verdadeiros perdedores são os franceses, coletivamente – e o número de abstenções nessas eleições, bastante significativo, demonstra o desencanto generalizado para com o sistema democrático liberal.

Nos próximos anos, haverá um agravamento das tensões sociais e do abismo não só na França, mas em toda a União Europeia. As alternativas ganham espaço e crescem, mas ainda continuam como meras alternativas, e não como o poder de fato. A dificuldade de Marine em assumir posturas mais “radicais” demonstra que mesmo os setores nacionalistas mais combativos ainda se submetem à retórica liberal, “progressista” e hegemônica, ainda que em menor escala quando comparados à Esquerda.

 

Continua, como em praticamente todos os países do mundo, a luta entre metrópole e campo, vida rural e vida da urbe, nação versus globo, terra contra mar, hegemonia em oposição à contra-hegemonia. O tipo de projeto unipolar ganha novo fôlego com Macron na França; entretanto, quanto mais esse constructo se expande, mais acelera sua própria ruína. Não haverá projeto para os próximos quatro anos: Macron é o anti-projeto, anti-nação, anti-povo. É o niilismo da escuridão profunda, consumindo toda luz ao redor – antes de morrer, fatalmente.

 

Macron é um não-francês e não governará a França; ele responderá àqueles que estão fora, não governará para aqueles que estão dentro. O poder não está em suas mãos, como não esteve nas de Hollande nem nas de Sarkozy; ele é o sucessor de um governo externo, o verniz da “rotatividade” democrática – ele é a mensagem necessária de que o processo ainda funciona, da normalidade das coisas; uma normalidade obviamente inexistente.

 

Merkel evitará a saída de um importante membro da União Europeia, e é isso que condensa o resultado das eleições na França: o prolongamento da enferma coligação de burocratas que determinam os destinos de povos inteiros, uma coligação que, já putrefata, adia sua decomposição. Macron é o servo da necromancia, mantendo a parte francesa desse grande defunto (a UE) ainda em atividade.

 

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