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Não Há Elite no Brasil

Com todo o processo político conturbado e o desmantelamento do Brasil enquanto entidade parece que o termo “elite” tornou-se totalmente indesejável, destituído de significado e mesmo um condensador de tudo o que deve ser combatido. É verdade: parcelas significativas daqueles que exercem cargos de governo e que estão em posições-chave estão entranhadas em esquemas de corrupção, sabotagem e desinformação.

 

Mas isso não significa que uma elite seja essencialmente ruim, nem que o próprio termo seja negativo. Elite pressupõe aquilo que há de superior, de mais elevado e de melhor qualidade em termos materiais e humanos; dada essa definição, não é difícil constatar que, hoje, o Brasil não possui uma Elite. Temos uma anti-Elite, a oposição completa ao próprio significado semântico desse termo. Aquilo que chamamos (erroneamente) de “elite” nada mais é do que a materialização do pior, do essencialmente ruim, da incompetência e incapacidade; é a escória que chega, por alguma razão, a posições do topo e que exercem domínio sobre as massas (ou que gerenciam esse domínio para elementos ainda maiores).

 

A razão de ser de qualquer Elite é a de funcionar como um anteparo, um “escudo” civilizacional, promovendo o engrandecimento do povo representado e governado por essa elite. Não é a simples ação parasitária sobre as massas: é o papel histórico, atemporal e ativo de aprimoramento dos mecanismos sociais e da própria condição humana. Uma Elite de fato tem como função, acima de qualquer coisa, desempenhar um papel civilizacional, preservar o organismo sobre o qual exerce governo e elevar esse organismo. Isso é exatamente o oposto daquilo que a anti-Elite brasileira fez, faz e continuará fazendo.

 

Se uma elite não cumpre esse papel civilizatório, ela perde sua razão de ser, perde seu motivo existencial e sua legitimidade. E, nesse sentido, cabe frisar a distinção que o filósofo Alexandr Dugin faz entre legitimidade e legalidade: a primeira é mais importante que a segunda. Uma elite, mesmo que corrupta, pode agir dentro da legalidade e permanecer no governo e no comando por meio da própria lei; mas a legitimidade está acima da própria palavra escrita e do código constitucional: ela emana do povo. É a massa que legitima o governo de qualquer elite, não a Constituição e seus similares. A Constituição pode agir como uma formalização dessa permissão: a legalidade como um reflexo da legitimidade.

 

Se não há legitimidade, essa elite (ou melhor, anti-Elite) pode e deve ser derrubada, dando espaço para outro grupo de pessoas, um grupo mais preparado e responsável para assumir esse papel civilizatório. Se hoje não há tal grupo no Brasil, então ele deve ser forjado. Não importa o quanto esse processo dure: será um investimento essencial – e um tempo muito bem gasto.

 

 

 

 

 

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