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O Islã É um Desafio ao Cosmoliberalismo

 

O Islã é o organismo com maior carga de elementos pré-modernos no mundo presente. Isso significa que, em relação ao cosmoliberalismo, o Islamismo é o elemento mais atrasado. E, aqui, “atrasado” não é um termo com conotações negativas: isso é essencialmente bom. O processo de avanço dentro do cosmoliberalismo é o processo de pós-modernidade, ultramodernidade, culminando com o pós-humanismo (sendo o transhumanismo uma parte desse processo de superação do ser humano, de obsolescência do Homo sapiens e sua substituição por algo “superior”, híbrido – o ciborgue).

 

No Islamismo, conceitos pré-modernos e identidades coletivas estão fundamentalmente preservados, mesmo que tenham passado por transformações durante os séculos. E há ainda o elemento do vigor nesse esquema civilizacional. Aqui, o Islã deve ser pensado não somente como religião, mas como civilização em si. Podemos citar também o Hinduísmo por sua expressividade numérica, mas falta ao Hinduísmo a distribuição geográfica encontrada no Islã (e também no próprio Cristianismo, embora este tenha sido fundamentalmente fagocitado pelo cosmoliberalismo no Ocidente – e é justamente nas comunidades orientais que o Cristianismo mantém-se em melhor forma).

 

A repulsa e aversão ao Islã não é uma resposta ao terrorismo que, em grande parte, é um produto fomentado pelo próprio Ocidente, já que as potências (notadamente os Estados Unidos) têm historicamente apoiado aquilo que há de mais radical e sanguinário no Oriente Médio, principalmente no ramo do wahabbismo. Essa repulsa se justifica pela reação do cosmoliberalismo àquilo que se confronta diretamente com sua hegemonia. O mesmo se dá em relação à Rússia: o Ocidente precisa de inimigos, o cosmoliberalismo precisa de alvos dos quais o homem deve ser “liberto” – e, se não há esses inimigos, eles devem ser criados.

 

Nesse escopo, o Islã precisa ou ser diluído pelo multiculturalismo, ou essencialmente destruído. Desestabilizar as nações do Oriente Médio é apenas um dos meios para se atingir esse objetivo. Entretanto, o caráter expansivo e vigoroso do Islã tem, de alguma forma, contornado essa estratégia cosmoliberal. O vazio promovido pelo liberalismo e sua ideologia estrutural não pode confrontar absolutamente nada: o vácuo é preenchido. A ausência de um vigor civilizacional na Europa Ocidental, por exemplo, é o que favorece o reaparecimento de formas pré-modernas ou a expansão de formas já existentes, mesmo que oriundas de outras regiões geográficas, como é o caso do Islã.

 

Quanto mais avança, mais rápido o cosmoliberalismo declina. Seu ápice é um antecedente inevitável de sua queda. E o colapso do cosmoliberalismo significará o ambiente ideal para o reavivamento dos identitarismos europeus. E o Islã pode agir como elemento positivo para isso, mesmo que provocando reações adversas – porque, sem essa forma pré-moderna, não há razão para se libertar do cosmoliberalismo. O europeu só acordou para o niilismo no qual foi lançado justamente quando foi confrontado pelo Islã.

 

Não só o Islamismo será hostilizado pelo cosmoliberalismo e essencialmente atacado por ele, como absolutamente qualquer outra forma religiosa ou coletiva também o será. O liberalismo precisa adiar seu fim, e agora recorre essencialmente à guerra e à catástrofe para fazê-lo, medidas mais desesperadas e agressivas que sinalizam o início da hecatombe cosmoliberal e sua inevitável substituição por outras formas de organização.

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