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Concepções sobre a Arte e Seu Valor Metafísico

Na foto, três quadros do pintor expressionista alemão Max Beckmann, intitulados 'Tentação', expostos na Exibição de Arte Alemã do Século XX, realizada na cidade de Londres em 1938. As obras foram incluídas por Adolf Hitler na Exibição de Arte Degenerada realizada em Munique um ano antes.

 

 

Existe algum valor transcendental para a Arte? É possível falar numa Arte com "A" maiúsculo? Existe algum propósito para as manifestações artísticas? Há manifestações artísticas válidas ou inválidas? Todas essas perguntas foram respondidas sob diferentes óticas de diferentes pensadores (ou ao menos tentaram respondê-las).

Há várias concepções sobre o que podemos considerar como arte. Essas concepções abordam diferentes perspectivas. Essas perspectivas adotam tanto visões mais materialistas ou mais metafísicas. 

 

Elbert Hubbard, em sua obra "Little Journeys to the Homes of Great Teachers", dá uma definição bastante significativa sobre o significado da arte: "Arte não é um objeto - é um caminho". Esse é um caminho tanto de perda quanto de ganho. Thomas Merton, em "No Man Is An Island", diz que "a Arte nos capacita a nos encontrar e nos perder ao mesmo tempo".

 

Complementando a ideia de Thomas que, num primeiro olhar pode soar como contraditória, está a definição de Maria Popova: "Esse é o poder da Arte: o poder de transcender nosso interesse pessoal, nossas lentes solipsistas da vida e nos relacionar com o mundo e uns com os outros com mais integridade, curiosidade e de todo o coração".

 

A visão platônica sobre a Arte é bastante cética e crítica em relação a qualquer valor intrínseco à arte. Platão considerava a Arte como a imitação da realidade, movido pelo ideal do belo. Entretanto, ele enxergava a realidade como intrinsecamente bela - o que significa que, sendo uma imitação da realidade, a Arte acaba por plasmar essa beleza e torna-se também bela. Platão acreditava que o desejo motiva no homem o ímpeto pelo belo, e esse ímpeto provoca nele a apreciação pelo todo. 

 

Numa visão mais materialista, Lev Tolstoj rejeitava o aspecto metafísico da Arte, desconsiderando qualquer manifestação misteriosa ou divina para a manifestação artística. Para ele, a Arte era a união objetiva dos homens, cumprindo uma função social de promover bem-estar.

 

Entretanto, a rejeição dos aspectos espirituais e metafísicos da Arte e sua concretização na Arte Contemporânea, principalmente depois das criações de Marcel Duchamp, significou não só a morte dos significados mais profundos da Arte, mas a própria incapacidade de realizar essa união fraterna entre os homens, muito menos promover qualquer noção de "bem-estar social".

A redução da Arte a aspectos práticos e materiais significou a própria incapacidade de preencher esses aspectos por meio da manifestação artística. A visão utilitarista da Arte é anti-artística, porque reduz a Arte ao nível de mera ferramenta. "Toda a arte é completamente inútil", dizia Oscar Wilde - e esse reconhecimento da "inutilidade" da Arte é justamente um engrandecimento dela, não o contrário.
 

Roger Scruton avança nesse conceito: "Se você considerar só a utilidade, as coisas que você constrói ficarão inúteis em pouco tempo". Esse utilitarismo incapacita a transmissão da essência bela da realidade no sentido platônico. "A Arte já foi um culto à beleza: agora, temos um culto ao feio; isso transformou a Arte numa brincadeira elaborada, uma brincadeira que perdeu a graça" - Scruton reafirma com insistência esse aspecto.

 

Sem beleza, a vida em si é desprovida de sentido. E a negação dos aspectos profundos da realidade e sua transmissão por meio da arte (seja ela escrita, esculpida, sonora, cinematográfica, etc.) significa a negação da própria vida.

 

Não se trata de definir um modelo único para a Arte, nem de um único meio de expressar a beleza. A verdadeira ruptura concretizada na arte contemporânea está em negar a própria beleza e a representação dela por meios artísticos, transformando a arte num aparato puramente comercial - o que importa para as grandes galerias é o "nome" do artista (ou seja, o quanto esse nome e essas obras valem).

 

Como Hugh MacLeod disse sabiamente, "a Arte sofre no momento em que as pessoas começam a pagar por ela". A rejeição dos valores metafísicos da Arte significa a inserção da visão utilitarista e mercadológica e, consequentemente, a anulação da própria Arte.

 

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