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O Anseio pelo Sagrado Refletido na Cultura Pop

A mentalidade liberal, ao se distanciar das tradições espirituais, afasta os homens daquilo que lhes é mais sagrado, profundo e verdadeiro, e entrega em seu lugar ideologias que se tornam mais aberrantes com o tempo e negam o homem enquanto tal, gerando um efeito cultural catastrófico sobre as civilizações.

 

Enquanto isso, intensifica-se o cisma entre religião e estado. Portanto, a mentalidade popular torna-se cada vez mais secularizada e distante da Verdade. Há também, com isso, uma enorme perda do valor simbólico para a sociedade, já que aqueles antigos símbolos, imbuídos de sabedoria e virtudes que tanto se opõem às pautas modernas, foram corrompidos, transformados ou esquecidos. Como efeito, muitos religiosos modernizados enxergam a ascese, as atividades espirituais e a própria ritualística tradicional como se não passassem de elementos ultrapassados e indevidos, já que consideram o modo de vida moderno ideal ou como se esse fosse valoroso per se.

 

Em suma, a civilização moderna vive em prol daquilo que o hedonismo oferece; sendo assim, tornou-se comum observar pessoas que vivem para saciar o próprio ego, aspirar prazeres baixos e buscar, de maneira incansável, o lúdico. Muitos desses aspectos, logicamente, se manifestaram na cultura das massas, trazendo então ainda maior influência contrária àquelas coisas sagradas e filosóficas, já que a verdadeira filosofia não nega o princípio primeiro, muito pelo contrário. Sumamente, a cultura pop vem seguindo, de maneira gradual, esse tipo de norte – imoralidade, hedonismo, egoísmo, etc. -, e, além disso, ainda tende a piorar muito, já que o nível musical, cinematográfico e cultural em geral vem decaindo com o passar das décadas.

 

Mas, mesmo assim, o homem não consegue se desvencilhar daquilo que é intrínseco à sua natureza ou daquelas coisas que pertencem a seu ser. Neste sentido, nem mesmo a cultura das massas consegue escapar de algum tipo de transcendência, mística ou religiosidade, que é o que vemos ainda hoje em muitas obras literárias, televisivas, poéticas e, não menos, nos jogos eletrônicos. Nestas obras existem elementos de fantasia e mitologia que, de certa maneira, saciam o desejo natural das pessoas de algo superior, elevado e virtuoso, mesmo que não seja da forma mais tradicional ou correta possível, ou ainda que elas não entendam o porquê de gostarem dessas manifestações fantásticas.

 

Logo, podemos observar um fenômeno específico e muito interessante: muitos daqueles que se rotulam como ateus, se interessam, às vezes até com certa paixão, por esses universos místicos permeados por magia e sabedoria, e isso, de certa maneira, serve como refúgio às concepções modernas que, geralmente, negam o transcendente.

 

Podemos tomar como exemplo de sacralidade a série de filmes do Star Wars, considerando que ele participa desse universo pop. No filme há uma cena em que o personagem de Luke Skywalker se encontra com mestre Yoda, que o prepara espiritualmente. É então que mestre Yoda ensina certos saberes sobre a força, que se mostra, substancialmente, como elemento divino:

Mestre Yoda – “Aliada minha é a força e poderosa aliada ela é. A vida a cria, crescer ela faz. É a energia que cerca nós e liga nós. Luminosos seres somos nós, não essa rude matéria. Você precisa a força sentir ao redor seu. Sim, sinta entre você, eu, a árvore, a pedra, em todo lugar. Sim, mesmo entre a terra e a nave.”

 

Seria uma grande injustiça atacarmos indiscriminadamente a tudo que existe dentro dessa cultura, sabendo que há conteúdo inspirado na sacralidade das coisas, no mistério supremo e na própria Verdade. É assim, reforçando o que foi dito anteriormente, que o homem moderno vê uma maneira de fugir do desencanto com a vida moderna, neste meio que há tanto do lúdico quanto do sacro, elementos que, por estarem unidos, formam uma interessante concepção artística.

 

Existem muitas outras manifestações tradicionais no universo da cultura pop, pois nenhuma sociedade, qualquer que seja, consegue verdadeiramente escapar da tradição ou dos valores morais, e isso significa que vivemos hoje uma artificialidade ou ilusão que tenta moldar o homem perante esses novos valores; mas isso nunca se dará, já que a força dos mitos está arraigada na alma humana e a sacralidade permeia todas as manifestações culturais e artísticas. Ora, mesmo se o homem desejar moldar sua natureza, nunca o conseguirá, pois o homem sempre estará ligado à arte e ao saber.

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