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Existe um Imperialismo Oriental?

 

Com o crescimento da influência da China e da Rússia como alternativa à hegemonia estadunidense, tem sido cada vez mais levantada a possibilidade de um novo imperialismo por parte destas potências, que viria a ocupar prováveis vácuos de poder deixados por uma eventual retração da influência global norte americana.

 

Mesmo brasileiros esclarecidos de viés nacionalista e anti-americano tem manifestado algum receio que certas políticas econômicas, como a que outrora aproximou Brasil e China durante o Governo Lula, tornando-a nossa maior parceira comercial, poderia levar a uma gradual troca do imperialismo estadunidense americano pelo chinês.

 

Outros sustentam que esse temor é resultante da tradicional fobia inoculada justamente pela já consolidada influência norte-americana em nosso país, sucedâneo anticomunista, uma vez que é previsível que uma força efetivamente imperialista promova flagrantes hipérboles contra qualquer possibilidade de outra força vir a enfraquecer sua influência.

 

Uma abordagem primária por meio de noções geopolíticas soluciona facilmente essa questão, mas antes de esboçá-la, vejamos algumas flagrantes evidências históricas, e mais anteriormente ainda, algumas definições.

 

Imperialismo

Império entende-se como um domínio sobre um vasto território, em geral exercido por um Imperador. Diferencia-se de um mero reino, ou de uma simples monarquia por uma questão, sobretudo, de grau. Os impérios chineses em suas várias dinastias, sendo as mais recentes a Ming (1367-1644) e Qing (1644-1912), o Império Romano não exatamente dinástico, que perdurou por quase meio milênio, o Império Otomano entre os séculos XIV e XX, são exemplos de vastos territórios governados por longo período de tempo por uma autoridade que ou integrou todas as suas posses num mesmo Estado, ou as subordinou a uma fortíssima influência central.

 

O Imperialismo, como conceito decorrente, responde positivamente a pergunta sobre a existência de imperialismos orientais, sem nos esquecermos do império do czares russos.

 

No entanto, quando levantamos essa questão na atualidade, não estamos realmente preocupados com esse sentido clássico. Até o Brasil já foi um império, dada a sua dimensão continental. Portanto, o imperialismo que nos preocupa hoje é justo um que não deriva de um foco de influência próximo, pois não temos qualquer pais contíguo ou mesmo geograficamente próximo ao ponto de viabilizar uma influência imperialista tradicional.

 

Quando acusamos a influência estadunidense de imperialista, estamos nos referindo a uma modalidade que vai muito além de seu território originário, distinto dos impérios antigos que se expandiam para áreas contíguas dentro de um mesmo continente ou para áreas marítimas próximas. O imperialismo moderno é de um tipo diferente, transcendendo seu reduto original e englobando terras distantes num processo colonizatório diferenciado.

 

Esse fenômeno é nitidamente ocidental, e embora remeta ao Império Romano, surge em sua versão moderna com Portugal, Espanha, Holanda, França, e atinge seu auge, ao fim da Idade Moderna, com a Inglaterra, uma força capaz de colonizar não apenas terras e povos menos tecnologicamente desenvolvidos, mas até mesmo civilizações muito mais antigas e desenvolvidas como a Índia e a China.

Na contemporaneidade, a expressão máxima desse "novo" imperialismo são os EUA, que, apesar de não se tratarem de uma monarquia nem de um país milenar, e, na realidade, terem sido, eles próprios, colônias, se comportam como sucessores do Império Britânico, porém, elevando-o a um nível ainda mais amplo e profundo.

 

Globalismo

Portanto, o que se observa na atualidade é o Imperialismo Globalista, aquele que tem pretensões não apenas sobre territórios contíguos ou marítimos próximos, mas sobre todo o mundo, e nesse sentido não há qualquer evidência de que as potências orientais, em especial China, Índia e Rússia, tenham tal comportamento, dada a total ausência de incursões colonizatórias ou invasivas em territórios distantes.

O poderoso "Império Soviético" chegou a abranger quase metade da circunferência polar canceriana do globo (mal o sol se punha na Moldávia, já nascia em Chukotka), mas apenas expandia para territórios próximos àquele que já era o maior país do mundo, nem sequer dobrando sua área, nunca saindo do continente eurasiano, e praticamente não afetando a visão poética de "país onde o Sol nunca se põe."

Muitíssimo menos há qualquer aventura expansionista indiana ou chinesa, China esta que se limitou a conquistar terras costeiras, sendo Taiwan o caso mais emblemático.

 

Num sentido absolutamente oposto, o Império Britânico, saindo da Europa, se expandiu pela África, Ásia, Oceania e Américas (inclusive ao extremo sul, não nos esqueçamos das Malvinas) além de inúmeras ilhas localizadas em várias partes do mundo, indo muito além de seus predecessores europeus já também ultra-oceânicos.

 

E na atualidade os EUA vão ainda mais longe, ao ponto de fincar uma bandeira na superfície da Lua, porém, com modalidade distinta de colonização, mais sutil, mas não menos eficaz, presente não apenas na influência comercial e econômica em geral, mas também na cultural, com fortíssima determinação nas tradições, religiões, costumes e sobretudo visão de mundo dos povos sob sua esfera de influência.

E o mais dramático: com incessantes campanhas militares sobre quaisquer alvos que, possuindo interesse estratégico ou energético, tentem resistir à sua hegemonia, ou, no mínimo, fomentando claramente Golpes de Estado em países que tenham almejado escapar de sua zona de influência. Intervenções que ocorrem incessantemente há quase um século.

 

Considerando que não há um único exemplo de coisa similar por parte da China ou da Rússia em qualquer época da história, países que lideram os temores dos que apoiam - ou ao menos estão à vontade com - o domínio estadunidense, esses fatos por si só deveriam reduzir qualquer discurso que vise equivaler um imperialismo contemporâneo Chinês ou Russo com o norte-americano a uma absoluta ignorância, ou impostura histórica, política e intelectual em geral.

 

De fato, a China se tornou o maior parceiro comercial do Brasil, sendo a principal colaboradora do enriquecimento historicamente recente do país - já arruinado pelo Governo Temer - e jamais se observou nem sequer a mais leve mudança do nosso colonialismo cultural de procedência norte-americana para o chinês. Não se viu os cinemas serem invadidos pela massiva produção cinematográfica popular chinesa, ao menos não mais do que sempre foi com os tradicionais filmes de Kung-Fu. Não se notou interesse no estudo de Mandarim minimamente comparável ao estudo de Inglês, ou na China como destino turístico, ou na cultura chinesa como objeto de curiosidade.

 

E que não se explique isso apenas pela distância histórico cultural entre nossos países, pois a influência da cultura japonesa no Brasil é fortíssima, tanto na prática esportiva (pratica-se mais Judô e Karatê no Brasil que no Japão) quanto no interesse pelo idioma, pela cultura tradicional e também pela cultura popular contemporânea.

 

E o Japão não foi introduzido no assunto por acaso, pois constitui a única exceção, ainda que parcial, de uma incursão militar oriental para uma área distante, pois na Segunda Guerra Mundial, além das invasões nipônicas já recorrentes na Rússia, China e Coréia, tivemos em 7 de Dezembro de 1941 a primeira e última aventura militar ostensiva de uma potência oriental longe de seu território: o ataque a Pearl Harbour, no Havaí, EUA.

 

O Japão ajuda a explicar o porquê da ausência de um Imperialismo Oriental no sentido atual, pois, se a simples exposição de fatos demonstra além de qualquer dúvida que jamais houve nenhum globalismo provindo do Oriente, agora podemos apelar à Geopolítica para demonstrar que, muito provavelmente, jamais haverá.

 

Geopolítica

Diferente do que pensa a maioria das pessoas ao se deparar com o termo, Geopolítica não é um mero estudo da Geografia com foco na Política, mas sobretudo o inverso, sendo na realidade uma forma de pensar a Política com base em suas características não somente geográficas, mas geológicas, no sentido das particularidades territoriais e físicas do ambiente onde os povos se desenvolvem. Dito de forma mais direta, é o pressuposto de que a mentalidade política de um povo é moldada de acordo com as características físicas da terra onde ele se desenvolve.

 

Assim, além da história, mitologia, cultura e demais características de uma população, é preciso prestar atenção na geografia e geologia mesmas de seu território, que, aliás, irão influenciar suas características culturais. Não se pode esperar que um povo que se desenvolveu e construiu tradições imemoriais no deserto tenha o mesmo modo de viver e de pensar que um povo que o fez numa floresta com abundância de rios, ou que os povos esquimós em seu ambiente perpetuamente congelado tenham a mesma visão de mundo e comportamentos que os povos insulares polinésios.

 

A realidade física em que vive, seu ambiente, irá determinar a maior parte das características culturais primordiais de um povo autóctone.

 

Quando estendemos esse raciocínio a nível civilizacional, com pleno desenvolvimento da escrita, religiões livrescas, burocracia administrativa, cidades etc, iremos sem dúvida englobar aspectos diferenciados de culturas primordiais distintas; no entanto, ainda haverá uma matriz em comum entre esses povos contíguos, mesmo que haja grandes distinções entre seus micro-ambientes em relação ao ambiente maior de um império que os governa.

 

E nesse nível temos uma distinção que ainda permanece marcante na atualidade, relativa às civilizações que se desenvolveram em amplos continentes abertos em múltiplas direções, jamais totalmente dominados e mesmo desvendados, e àquelas que se desenvolveram em pedaços de terra menores delimitados pelo mar, ou mesmo em ilhas.

 

É a distinção que chamamos de Telurocracia e Talassocracia, dos termos tellus ('terra' em latim) e thalassa ('mar' em grego), resultando em visões e comportamentos geopolíticos notadamente diferentes que se contrapõem em nossa atualidade.

 

Impérios Terrestres e Impérios Marítimos

Assim, pela sua óbvia vastidão territorial eurasiana, civilizações com amplas terras como a Índia, a China e ainda mais a Rússia, são aquilo que chamamos de telurocracias, ou seja, cuja mentalidade geopolítica é construída sobre uma realidade territorial massiva, ao passo que os países europeus, com territórios menores, frequentemente pressionados contra o mar, ou mesmo totalmente insulares, possuem mentalidade geopolítica construída sobre uma realidade territorial muito mais limitada que incita à exploração marítima.

 

Não é à toa, portanto, que os impérios universalistas ocidentais tenham se originado de países com menor extensão territorial e amplamente cercados pelo mar, o que já se verifica desde a Grécia ou Roma antiga, mas só se intensifica no nível global com os países da península ibérica, com a França amplamente costeira ou a Inglaterra insular.

 

Por isso mesmo, o Japão se destaca como a exceção imperialista oriental mais próxima ao modelo ocidental, visto seu território limitado fomentando expansão ultra-marina, algo que, por outro lado, não se verifica na Índia - a mais antiga das grandes civilizações ainda presentes -, China ou Rússia.

Por fim, os EUA destacam-se como uma anomalia nessa tendência, mas, justamente, a anomalia terminal e mais relevante, pois embora sejam um país de dimensões continentais, herdam a mentalidade talassocrática de seus predecessores, e, tendo amplo acesso a dois oceanos pelas costas leste e oeste, conservam o comportamento de uma potência insular no que se refere à expansão colonizatória.

 

Imperialismo Cultural

Talvez um denunciador ainda mais notório dessa tendência seja a exportação de produtos culturais num nível além do mero comércio, mas com claros fins de influência de mentalidades. À exceção do Japão, nenhum país oriental exportou tanto de sua produção cultural, nem tanto tradicional, mas sobretudo de consumo de massa, quanto o fez os EUA. Numa série de aspectos, conhecemos mais da cultura norte-americana que da nossa própria. Por influência de filmes e seriados norte-americanos, muitos tem uma imagem por completo fantasiada do judiciário brasileiro, por exemplo, acreditando que tenhamos ritos processuais similares ou o simbólico martelinho. O Halloween vem sendo introduzido continuamente no Brasil apesar de uma total ausência de fundamento histórico nosso para tal, e até o emblemático Futebol Americano começa a ser praticado timidamente em nossos gramados, o que é especialmente simbólico, considerando nossa tradição naquilo chamado pelos anglófonos de Soccer, embora seja justo este, diferente da versão praticada quase que exclusivamente nos EUA, que realmente se jogue com os pés, e com uma bola.

 

Evidentemente, tal influência é antiga. Consumimos vasta produção midiática norte-americana, e não somente nós, desde que a maioria se dá por existente. E em segundo lugar temos a japonesa, mais até que a britânica. É certo que temos uma das maiores comunidades nipônicas do mundo, mas a influência da cultura popular da Terra do Sol Nascente, especialmente os animes, mangás e videogames, também se dá em vários outros países, inclusive nos EUA, seu principal rival na produção desse tipo de cultura.

Também é fato que a vasta produção interna é fator relevante para a exportação, mas sabemos que a Índia é o maior produtor cinematográfico do mundo, mas sua influência é insignificante no ocidente, bem como também é vasta a produção chinesa, mas aqui ficamos praticamente reduzidos aos filmes de Kung-Fu.

 

Vale lembrar, ademais, que uma outra potência oriental começa a se destacar na exportação de sua cultura para o ocidente, já notória nos videogames, mas também na música e filmes, e se trata justamente de um país peninsular, a República da Coréia, vulgo Coréia do Sul, com ampla abertura para o mar mas limitada ao norte pela República Popular Democrática da Coréia, vulgo Coréia do Norte.

Juntando essa característica territorial já favorável a uma tendência talassocrática anômala no continente asiático, ao fato do país ter sofrido brutal colonização pelo Japão e posteriormente pelos EUA, torna nada surpreendente que venha adotando esse comportamento.

 

Mas especialmente no caso norte-americano, essa presença não é apenas comercial. Há evidente interesse em disseminação ideológica. Em especial os seriados, principalmente os que lidam com temas militares, de espionagem, internacionais, etc, são frequentes em disseminar as suas visões políticas. Na década de 70 e 80 a propaganda anti-comunista era absolutamente explícita, sendo soviéticos e chineses regularmente os vilões; nas décadas de 90 e 2000, passou a se concentrar nos terroristas islâmicos e na Coréia do Norte, passando recentemente a Rússia a ser novamente vilanizada.

Ainda mais invasiva e massificante tem sido a propaganda progressista de teor racialista, feminista e homossexualista recente, com produções de filmes e seriados que explicitamente cumprem cotas de representação e transformaram um certo romanceamento da realidade, em especial com as heroínas de ação e mulheres em posições tradicionalmente masculinas, em muito mais que um apelo há muito chamativo ao público masculino, mas, sim, numa pretensão de lograr, pela forma da influência cultural, alguma transformação efetiva na realidade.

 

E enfim, talvez as frases mais exaustivamente repetidas nessas produções sejam que "os EUA são um país livre", que "vivemos numa democracia", que o presidente dos EUA é o "líder do mundo livre", ou outras alusões à liberdade, e há muitas produções, especialmente no campo da Ficção Científica e Fantasia, que são interpretadas como alegorias de uma revolução liberal ou uma defesa da democracia, embora por motivos de profundidade simbólica e arquetípica sejam também facilmente interpretadas como uma crítica ao próprio imperialismo estadunidense.

 

O Destino Manifesto

Mas os EUA possuem um diferencial especial que se sobrepõe à mera tendência talassocrática típica da modernidade européia. São um país que já foi formado sob uma doutrina expansionista e de pretensão de liderança mundial. A doutrina novecentista do Destino Manifesto já pregava que os colonizadores de origem européia tinham no desbravamento do novo mundo uma missão divina, análoga à construção de uma "Nova Terra", no dizer do Apocalipse. Domar a selvageria do continente, civilizá-lo, sob a égide de um povo especial. Literalmente, Excepcional.

 

Embora seja controverso o grau de adesão e popularidade da doutrina, anônima, do Destino Manifesto, ela evolui para a forma do Excepcionalismo Norte-Americano, que atesta serem os EUA, devido às suas características históricas únicas, um país destinado a ser exemplo para o mundo, ou mesmo a "liderá-lo" rumo a uma nova era.

 

Ainda mais explícito é que à Doutrina de James Monroe (1758-1831), que atestava a inviolabilidade dos EUA perante pretensões colonizatórias européias, foi adicionado o Corolário de Franklin Roosevelt (1858-1919), de que eram os EUA, e não a Europa, que deveriam ter responsabilidade sobre os demais países das Américas, assumindo explicitamente o papel que outrora coubera aos colonizadores europeus.

 

Tudo isso desemboca na política externa norte-americana pós-segunda guerra, com destaque especial para a Doutrina Kissinger, a qual, acrescentando o anticomunismo, arvorou-se no direito, e mesmo no dever, de combater seu inimigo ideológico até mesmo no oriente, ao lado das potências soviética e chinesa, sem nenhuma condescendência para o conceito de Autodeterminação de Povos historicamente apartados do desenvolvimento ocidental.

 

Com isso, não surpreende que a conduta norte-americana para a América Latina seja nada menos que imperialista no sentido mais extremo do termo, só não recorrendo à força militar para explicitamente invadir países centro ou latino-americanos se isso for dispensado devido a força política, econômica e ideológica.

 

Mas para um outro país de dimensões continentais como o Brasil, e cujas características geográficas deveriam lhe conceder o lugar de liderança ao menos no quadrante meridional austral, e para o qual qualquer abordagem militar seria inviável, os EUA reservam então papel necessariamente subalterno e colonizado, pois, como teria dito Kissinger, não podem admitir "um Japão ao sul do Equador".

Isso significa deliberadamente impedir qualquer pretensão de desenvolvimento maior, e sobretudo de influência geopolítica brasileira sobre os demais países sul-americanos, especialmente por estarem cientes da diferença cultural de nosso país em relação à norte-americana, resultando em incompatibilidade ideológica. Ainda mais quando o país decide se aliar justo às potências orientais.

O alinhamento ao BRICS aliado à ascensão do país como maior potência austral chegando a atingir a posição de sexta economia do mundo, especialmente ao colocar à serviço da China nossos recursos naturais, foi mais do que suficiente para justificar a última intervenção com vista a um Golpe de Estado, cujo processo se desenrolou a partir de 2013 e não tem no impeachment nem sequer seu momento mais relevante.

 

Conclusão

A relevância desse tema se dá pelo fato de que alguns consideram a recente intromissão norte-americana em nossa soberania, explicitada cristalinamente pela espionagem por parte das agências norte-americanas às nossas telecomunicações, governo e empresas, em especial à Petrobras, e por fim a implementação ilegítima de uma agenda claramente pró-estadunidense após 13 anos de um governo pró-eurasiano, como de algum modo não muito distinta a uma possível intromissão de países orientais, em especial da China.

 

Como vimos, porém, não há qualquer fundamento para se acreditar que chineses ou russos seriam tão invasivos quando os EUA sempre foram, tanto pela ausência absoluta de qualquer precedente histórico vagamente similar quando pela fundamentação geopolítica apresentada. A velha falácia farsesca da ameaça comunista podia até ser perdoável no Estado Novo, mas já era claramente falsa durante o Golpe Civil-Militar de 1964 e hoje merece ser repudiada como um expoente intolerável da impostura intelectual.

Até hoje, anticomunistas e liberais repetem ad nauseam a farsa de que a URSS financiava movimentos revolucionários no Brasil, o que a própria história da Revolução Cubana já evidencia ser uma fraude, bem como o fato puro e simples de que os movimentos comunistas latino-americanos tinham evidente orientação trotskista, socialismo internacionalista, rival feroz do stalinismo que se edificou na União Soviética.

 

O alinhamento econômico e político a potências orientais, portanto, não parece de modo algum tendente a uma submissão imperialista minimamente comparável à que sofremos por parte dos EUA. Não há qualquer sustentação histórica ou teórica a essa noção, e, portanto, justificar o retrocesso rumo à submissão ao imperialismo estadunidense como uma forma de nos proteger de um suposto imperialismo oriental é apenas uma remodelagem de velhas falácias e fraudes perpetradas em favor de nossa perpétua subalternidade, maculando nossa soberania e auto-determinação.

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