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Evento: "Direito, Subdesenvolvimento e Relações Internacionais na América Latina"

 

          No dia 26 de novembro de 2018, foi realizado um importantíssimo evento sobre geopolítica, relações internacionais e economia (principalmente por meio de uma abordagem histórica). Ocorrido na Universidade Presbiteriana Mackenzie, o evento intitulado “Direito, Subdesenvolvimento e Relações Internacionais na América Latina” contou com a presença dos professores Gilberto Bercovici (Universidade de São Paulo e Universidade Presbiteriana Mackenzie), Helid Raphael de Carvalho (Universidade Federal Fluminense) e do professor argentino Marcelo Gullo (Universidad Nacional de Lanús e membro do corpo científico do CEM).

          Iniciando a palestra, o professor Marcelo Gullo realizou uma abordagem histórica relatando, de forma sucinta, os principais processos bem-sucedidos de industrialização, modernização e desenvolvimento, começando pela Inglaterra e passando por nações como Alemanha, Japão, Coréia do Sul, China e Estados Unidos. Ele desfez vários dos mitos e mantras da retórica liberal mais simplista, cuja máxima diz que, para o desenvolvimento econômico, a ausência quase que completa do Estado é uma condição sine qua non. Gullo demonstrou, com exemplos práticos, fatos históricos e efeitos observáveis, como os processos de aprimoramento econômico das nações desenvolvidas ocorreram com forte presença governamental.

          Em suma, o professor Marcelo definiu o liberalismo como uma ideologia de dominação inglesa usada para efetivar o impedimento do progresso e da industrialização de nações marginalistas e que competiam (ou poderiam vir a competir) com a Inglaterra. Para efetivar o aprimoramento econômico e a emancipação, os países devem realizar uma “Insubordinação Fundadora” (Insubordinación Fundante) contra a ideologia liberal.

          Dando prosseguimento, o professor Gilberto Bercovici fez uma análise histórica sobre o processo de industrialização do Brasil (ou de ensaio de industrialização), iniciado e fortalecido especialmente por Getúlio Vargas – e que seria continuado por João Goulart, que sofreu uma interrupção no golpe civil-militar de 1º de abril de 1964. Bercovici ressaltou a participação decisiva do governo getulista no processo de nacionalização e utilização dos recursos naturais do país, especialmente os estratégicos, os empreendimentos em energia e a instalação de indústrias nacionais.

          Bercovici também ressaltou um elemento importante: para ele, não há uma burguesia nacional, ou seja, um conjunto de industriários e empresários que produzam nacionalmente e que incentivem a tecnologia brasileira (uma indústria propriamente dita). O processo, durante Vargas, não contou com uma “burguesia nacional”, mas com centros de governo. Para ele, essa burguesia não é indispensável à realização de um processo de industrialização, citando a própria China como exemplo. A única condição é a existência de um agente capaz de conduzir esse processo, podendo ser o próprio Estado (mais uma vez, como o exemplo chinês deixa explícito).

          Concluindo a palestra, o professor Raphael de Carvalho analisou as causas, motivações e os efeitos do Golpe de 1964 (que ele considera como uma derrota, uma perda profunda de uma oportunidade excelente de emancipação do Brasil), sobretudo para o pensamento brasileiro, a intelectualidade nacional e a capacidade de desenvolver o país industrial e socialmente. O professor citou a necessidade de se criar uma ideologia nacional que consiga unir as massas em torno das causas nacionais. Um exemplo bem-sucedido dessa atividade, segundo o professor Raphael, foi a campanha de mobilização nacional “O Petróleo é Nosso”, conduzida durante a Era Vargas.

          No evento, a coesão entre os três professores palestrantes permitiu uma transmissão coerente dos conteúdos e informações que, com as falas intercaladas e bem mediadas, foram essenciais para a exposição de uma leitura econômica honesta, realista e fundamentada em fatos. Pudemos participar, em nome do Centro de Estudos da Multipolaridade (CEM), desse excelente evento e trocar informações com os professores.

 

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